quarta-feira, 22 de junho de 2022

 




Oi querido, sonhei contigo. Mas não foi um encontro de almas, não, não foi! Foi só saudade, só uma visão que minha mente projetou para eu aliviar essa saudade cruel e sem piedade.

É, eu te vi, meu velho. Foi tão rápido, como uma flecha.

Eu estava passando pela rua da nossa casa e parei meu carro, e quando percebi, já estava dentro da casa. Corri pelos corredores, todos nublados. Sabe aquela luz que é penumbra, mas que a gente consegue ver?

Parei na porta deum quarto e gritei: PAI, PAI ... PAI. Minha voz era fraca, quase um sussurro; e por mais que eu me esforçasse, não saia. Olhei para a porta da tua suíte e vi uma luz pela fresta, e então eu gritei de novo, e você fez um hã ou hum... ouvi tua voz rapidamente. Daí você saiu com uma toalha na mão, olhou pra mim e sorriu como se dissesse: não adianta, filha, eu me fui. Só eu reconheceria aquele rosto, o sorriso, a feição... e ainda balançou a cabeça em sinal de eu fui embora pra sempre, numa negativa breve. Eu só tive tempo de te olhar. Matar um décimo da minha saudade e acordei!

By Lu Cavichioli